As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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MEMBROS DO GOLP

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

RELEMBRANDO GERAÇÕES PASSADAS



Muitas vezes as pessoas manifestavam seu afeto não por toques físicos de carinho, mas sim por gestos e palavras, as quais só num futuro distante (agora presente) pudemos entender e valorizar. Daí virou passado, mas não importa, a lembrança ficou presente e passou a ser entendida como dádiva preciosa. Tomo como ponto de referência, meus avós maternos, para nós os “nonos italianos”. Eles não tinham o costume de expressar seus sentimentos, beijando ou abraçando os netos, mas o sorriso com que nos recebiam quando osculando uma de suas mãos pedíamos-lhes a benção, eram sinais de manifestação que nos amavam muito; também a suculenta sopa ou macarronada com o macarrão feito em casa como apreciávamos, sempre a nos brindar nas visitas.
Já o avô paterno que parecia avesso às nossas peraltices infantis, não chegava sem o pacote de balas quando nos visitava. Fazia-me sentir importante ao me chamar para uma “partidinha” de baralho. Geralmente ele ganhava e arrematava o jogo com uma risada gostosa, dizendo para me arreliar: “você não serve pra jogar estas cartas: é menina dos livros”. Isso, porque percebia que eu estava sempre a ler histórias de autores infantis.
Até as designações: ” como você está  bonita e gordinha ”,  ( ainda não usavam o sinônimo “fofinha”), que as tias e amigas dos familiares usavam eram ditas para agradar. Bem diferentes das atuais, onde os pais são mais abertos e espontâneos com filhos e netos. São louváveis esses comportamentos, como também os do passado, embora estes últimos, sendo tímidos e sem toques físicos. Na ocasião nem percebíamos serem provas do quanto nos estimavam. Só agora, quando todos já se foram e no outono da vida quase inverno é que os reconhecemos como carinhos, amor...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SAUDADES


(À minha mestra Maria Cecília Bonachella)
Amanda Fleury

Tão semelhante como reflexo no espelho:
Eu, literalmente, pequena diante dela
A soberana poetisa:
Maria Cecília Bonachella.
Portas abertas
Folhas amarelas
Olhares aquiescentes
Almas cúmplices:
A poesia nascia.
Lugares se invertiam
na sabedoria de ensinar
e no interesse em aprender.
Tudo tão sereno...
Tudo tão frágil
como seu corpo...
Escondia uma alma profunda
Marcada por dores
Enganos
Amores...
Momentos preciosos deixados
Na lembrança e nos papéis.
Ficaram as palavras...
Ficaram as poesias...
Essas – apenas essas –
 são imortais...


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lembranças do Bicentenário de Piracicaba


Ivana Maria França de Negri

Finalzinho dos anos dourados, 1967. Eu,  pré-adolescente, com doze primaveras incompletas. Os festejos do Bicentenário de Piracicaba, nessa época, me marcaram profundamente.
Nossa Noiva da Colina era ainda uma cidade interiorana onde quase todos se conheciam. Mas crescia muito depressa sob o comando do dinâmico prefeito Luciano Guidotti.
Não havia shoppings e os pontos de encontros da juventude eram na saída da missa da Catedral, em algum barzinho, como o Karamba´s Lanches, nos cinemas como o Politeama, Palácio e Broadway, na bombonnière do Passarela ou no Jardim da Cerveja.
Os Beatles eram os ícones, e o iê-iê-iê e a Bossa Nova encantavam os adolescentes.
O movimento “Paz e Amor” dos hippies, se alastrava, e aumentavam as comunidades que rejeitavam produtos industrializados, o consumismo desenfreado, pregando o fim das guerras e ampliação dos direitos.
Tempo de passar as férias escolares em Santos, descer a serra de fusca, o que era uma aventura! Nem se falava em cinto de segurança e a criançada se espremia  no porta-malas que ficava dentro do carro. Uma festa!
As bebidas eram Crush e Cuba-Libre. Crianças não tomavam Coca-cola, só em ocasiões especiais. Bebiam laranjadas e limonadas que suas mães e avós preparavam, geralmente com as frutas colhidas frescas no pé, do quintal das residências.
Nossa casa estava um alvoroço porque minha irmã mais velha, Maria Graziela,  aos 15 anos, tinha sido convidada para participar do concurso que elegeria a Miss Bicentenário. O baile de gala seria no Clube Coronel Barbosa,  o top da cidade na época. Tempos de black-tie, smokings e ternos feitos sob medida com coletes, camisas com barbatanas, abotoaduras e vestidos vaporosos, rendados e bordados. Os convites para os bailes de gala pediam traje a rigor. E os que não estivessem de acordo eram barrados nas festas.
Os penteados eram bem elaborados, coques, cachos, apliques e litros de laquê, que os mantinham firmes, duros, sem desabar. Os “play boys” usavam cabelos bem compridos, uma afronta aos mais velhos, adeptos do corte quase zero dos barbeiros. Também havia os que usavam topetes à La Elvis Presley.
As roupas seguiam o estilo da atriz Brigitte Bardot, tubinhos e minissaias. Já para os rapazes, quem ditava a moda eram os Beatles, o famoso quarteto de Liverpool, com blusas de gola role e terninhos de pernas ajustadas.
Minhas tias, modistas finas – naquela época não havia muita opção de roupa pronta para comprar – sempre a postos com suas fitas métricas, tesouras, agulhas e linhas. Confeccionaram um lindo vestido para minha irmã que foi aclamada pelos jurados como a mais bela, sendo eleita a Miss Bicentenário de Piracicaba, recebendo o cetro, a capa e a coroa, que seriam dela por cem anos!
Eu não podia frequentar os bailes por conta da pouca idade, mas ficava “nos bastidores” participando de tudo. Para mim foi tudo muito mágico!
O tempo passa célere, mas não apaga as lembranças que ficam indelevelmente impregnadas em nossa memória. Saudades de minha mãe, das minhas tias e de um tempo que não volta mais.

E Piracicaba, no auge dos seus duzentos e cinquenta anos, continua sendo adorada, cheia de flores e de encanto, com seu famoso rio que “joga água pra fora quando chega a água dos olhos de alguém que chora de saudade”...